Contos e (En)cantos

Quando o amor acaba – Luiza Villar*

Era uma tarde de uma segunda-feira
parecia que iria chover mas era só o meu coração sentindo
sentindo o mar revolto, agitado e cheio, muito cheio
E que estava querendo transbordar.
Parecia que não iria ter fim, pois quando o amor acaba
dói como um corte tão profundo na pele que parece que vai ser impossível
curar.
Será que existe remédio para sarar essa ferida e amenizar a dor ?
Não sei, mas sei que a vida, o vento, a maresia e o barulho do mar faz com
que essa dor seja diminuída.
Não é que deixa de doer, ainda sinto pontadas,
como se uma agulha me furasse sempre que eu lembro dos momentos.
Mas foi em um final de tarde de uma segunda-feira,
parecia que iria chover, mas era meu coração sofrendo.
Terminou com o silêncio da gratidão.
Do olhar materno me falando “obrigada”
E a compreensão de que eu também era grata.
Às vezes, os olhares de algumas pessoas que amamos são como olhar de
mãe atenta.
Atenção total aos batimentos cardíacos de seu pequeno filho.
Olhar atento que nos faz nos sentir vivos e pertencentes.
Mas foi em um final de tarde de uma segunda-feira que senti esse olhar atento
pela última vez.
Parecia que eu sabia que ali era a última vez. Senti o clima de despedida.
Me despedi dando um bule de chá. Ela adorava chá.
Era uma forma de desacelerar a alma e juntar os filhos num final de tarde de
uma segunda-feira.
Logo na segunda, que é o primeiro dia da semana, do imprevisível.
E foi assim, em um final de tarde de uma segunda-feira que eu fui embora, me
despedindo pelo olhar, e recebendo de volta o último olhar atento de uma mãe
atenciosa.

*Estudante de Pedagogia da UFPE, amante da literatura e das múltiplas formas
de artes!

Pergunta para pensar no texto: O que você espera das segundas-feiras?

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