Contos e (En)cantos

O milagre do amor

Rui Vaz-Leprechaun*

Tu sabes o que é que o Amor faz?
Transforma o veneno em néctar
E as víboras em rosas,
Faz do deserto um jardim
E tira água dum rochedo,
Enxuga o leito do mar
E faz chover o maná,
Cura os corpos
E regenera as almas.

Claro que há quem não acredite,
Mas é preciso ser muito cego ou infeliz
Para não ver os Milagres do Amor!

O Amor transforma
A tristeza em alegria,
A melancolia em entusiasmo,
A miséria em abundância,
A infelicidade em Felicidade.

Extrai do Nada o Tudo,
Dá Vida à Morte,
Vai do Zero ao Infinito,
Enche o Vazio de Plenitude.

Alimenta-nos,
ampara-nos,
protege-nos,
ajuda-nos,
guia-nos,
Ama-Nos!

Tem confiança em nós,
Sabe como somos maravilhosos,
Conhece todo o nosso potencial oculto,
A nossa beleza interior,
A nossa identidade secreta.

Para o Amor cada um de nós é
um Anjo,
um Deus,
um Rei,
um Ser Humano.

O Amor vê-nos como somos sabe como somos e aceita-nos como somos.
Não nos impõe nada,
Não nos modifica à força,
Não actua contra a nossa vontade,
Nem nos transforma no que não queremos ser.
Deixa-nos crescer livremente,
Sem entraves, nem algemas ou cadeias,
E ensina-nos com mansidão, pacientemente,
Com a ternura da Mãe que guia o filho
Ou o carinho do Pai que o corrige.

Este Universo nasceu do Amor.
Quando nada existia, excepto o vazio imenso,
O Amor estava presente, mas sentia-se só.
Não tinha ninguém com quem brincar ou conversar;
Não existia nada que Ele pudesse amar,
A não ser a sua própria plenitude e existência.
Então, no seu coração germinou o desejo
De se multiplicar em muitos seres,
E o seu sonho realizou-se e o Universo nasceu,
Não sei se de repente ou devagarinho,
A pouco e pouco, lentamente,
E evoluiu até chegar a nós, aos nossos dias,
Hoje, este dia, esta hora,
Este mesmo instante, este momento,
Aqui e agora!
Por isso, nós somos os filhos dilectos do Amor.
É Ele o nosso verdadeiro Senhor e único Criador.

E para quê todo este milagre?
Que finalidade em toda a Criação?
Que insondável motivo,
Que impenetrável mistério,
Que impensável razão
Para este vasto, maravilhoso Universo?

Para amar,
Para Amar,
Para Amar!

Demasiado simples para acreditar?
Talvez.
Demasiado pueril para levar a sério?
É possível.
Demasiado ingénuo para ser verdade?
Há quem pense assim, admito,

Mas a minha alma não tem dúvidas,
E no meu coração não há
A mínima sombra de incerteza.
E, tal como eu, também todos aqueles
A quem o
Amor se manifestou
O sabem e sentem e compreendem.

E o veneno já foi transformado em néctar
E as víboras em rosas
E o deserto num jardim
E a água brotou da rocha
E do orvalho nasceu pão,
Mas há ainda um milagre que falta realizar,
O mais importante de todos,
A coroação de todo esse processo criativo,
O toque final do Artista Supremo,
Este pequeno e grande feito
Que o Amor há-de alcançar,
A realização última que imperceptivelmente estamos a aprender:

O Milagre de viver o Amor
no nosso coração
constantemente
e sempre…

Sª Mª Feira, 24-03-1988

*Escritor português, nascido em Santa Maria da Feira, em 02 de abril de 1953.

Pergunta para refletir sobre o texto: O que sabes sobre o milagre do amor?

Um comentário em “Contos e (En)cantos

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