EntreLAÇadOS

Este é um espaço aberto à interatividade para que você possa relatar por escrito suas experiências, pessoais e coletivas, de encontro consigo mesmo e com o outro. É um espaço para você interagir com toda a comunidade virtual, expressando suas vivências, sentimentos e posições sobre os acontecimentos que lhe afetam e que também estão presentes da vida cotidiana.

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Relato 18. A saúde mental de estudantes universitários: um olhar do outro de si mesmo

Para falar sobre saúde mental não podemos dissociar de questões como: gênero e raça.
Eu, mulher negra, pobre, gorda, faço parte de várias minorias sociais, e que tem um grande impacto na minha vida acadêmica e social. Quando entrei na universidade me deparei com situações que eu nunca havia vivido, senti a pressão da academia, senti a falta de espaço e acolhimento em muitos momentos, mas também encontrei pessoas muito boas na minha caminhada que me ajudaram a persistir na universidade. Nesse sentido, estar na universidade e ser parte de uma minoria social causa impactos, como por exemplo, ter as melhores notas para conseguir um projeto. A preocupação de ter um histórico escolar com as melhores notas é constante, uma vez que é com elas que você possivelmente conseguirá alguma coisa dentro da universidade, e digo possivelmente, pois há também, a existência de privilégios em conseguir acessos de projetos, monitorias, bolsas, entre outras coisas. Tem muitas questões que perpassam nossa saúde mental dentro de uma universidade, temos que lidar com nossa mente, nossos sentimentos e as pessoas ao redor, são inseguranças, traumas, gatilhos, situações que acontecem que vão degradando nossa saúde mental. E todos nós estamos machucados, voltamos ao presencial cheios de feridas ainda abertas de um processo doloroso e desgastante que foi a pandemia, preocupações, medos e inseguranças permeiam nossa vida. Mas saber que o diálogo está aberto para assuntos sobre nosso bem-estar e nossa saúde me deixa alegre, pois vejo que os olhos não estão fechados para essas questões. Por fim, vejo luz nessa caminhada que é ser estudante universitária, vejo possibilidades e alegrias, é preciso manter a esperança e esperançar enquanto lutamos diariamente pela nossa vida e por mais oportunidades para todos.

Maria Luiza Villar Santana, 4° período, Licenciatura em Pedagogia.

7 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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  2. Que lindeza de texto!! tão profundo e tão adequado aos nossos tempos!! Gratidão pela concessão do maravilhoso texto, Newton Moreno.

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