EntreLAÇadOS

Este é um espaço aberto para que conte as suas experiências pessoais de encontro consigo mesmo e com o outro nesse momento em que somos solicitados a estarmos nesse convívio de intenso contato humano em casa.

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Caderno de relatos: vozes do campo

“Quem disse que tudo está perdido? Eu venho oferecer meu coração! Quando não houver ninguém perto ou longe, eu venho oferecer meu coração”. (Música MST).

“A infância sem terrinha é muito boa de se viver, no lugar onde moramos todos cantam pra colher. A gente canta com prazer, as lições que aprendemos vão além do ABC” (música sem terrinha)

“A luta é nossa, essa luta é do povo, é só lutando que constrói um Brasil novo…500 anos de miséria e exploração e o nosso povo sem saúde e educação…tem que ter mudança em toda sociedade e os movimentos mostrando a realidade” (música MST)

“Esse é um trabalho que gera hoje a criação dos agentes populares de saúde” (Agente Popular de Saúde – Programa Mãos Solidárias).

“É o povo cuidando do povo. Assim nasce a Rede de bancos populares de alimentos, com mais de 21 bancos na região metropolitana de Recife. E a gente faz a grande lançamento do banco Mãe trazendo a partilha das organizações do campo. Nós estamos com mais de 12 toneladas vindo de todo o Estado de Pernambuco. É uma solidariedade ativa onde a gente não dá o que sobra, a gente partilha o que tem, que é fruto d nossa vida, fruto da luta” (Paulo Mansan – Diretoria MST)

“Essa é uma ação importante porque ela visa, justamente, resgatar a dignidade humana, dá possibilidade não apenas de ter o alimento” (Dom Limacêdo – Arquidiocese de Recife e Olinda).

“Nesse processo de pedagogia popular, com conteúdos que as pessoas compreendem na comunidade, a gente tá fazendo toda uma formação…então a gente vai de casa em casa, de porta em porta, perguntando sobre a saúde, quem está doente e quem não está” (Agente popular de Saúde – Programa Mãos Solidárias).

“Amar o campo ao fazer a plantação. Não envenenar o campo é purificar o pão. Amar a terra e nela plantar semente. A gente cultiva ela e ela cultiva a gente (Zé Pinto – MST).

6 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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  2. Que lindeza de texto!! tão profundo e tão adequado aos nossos tempos!! Gratidão pela concessão do maravilhoso texto, Newton Moreno.

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