Giras(sóis)

Girassóis da primeira semana de novembro ou elaborar o passado para significar o presente

Já estamos na reta final, no penúltimo mês do ano de 2020. O ano da pandemia do novo coronavírus. E talvez tenha sido um ano, verdadeiramente, desafiante para o mundo inteiro, principalmente, por ter proporcionado a revelação dos sentimentos-sofrimentos, de várias ordens, níveis, matizes, através dos quais os seres humanos e os seres não humanos estabeleceram relações consigo, entre si e com o planeta. Partindo da experiência do sentir o que somos e do sentir o que fazemos com o que nos atravessa no início do mês de novembro, o que realmente sabemos é que esses sentimentos não são fáceis de serem percebidos, tampouco de serem comunicados.

Assim, seguimos cartografando e refletindo com vocês sobre os modos, formas, maneiras como o nosso corpo, mente e espírito reagem, lidam, descartam ou atualizam os sentimentos-sofrimentos emergidos, seja pelas notícias que circulam, no país e no mundo, seja pela perenidade da conjuntura pandêmica brasileira (https://www.brasil247.com/coronavirus/covid-19-dispara-em-santa-catarina-florianopolis-esta-sob-risco-gravissimo ). Isto é, problematizando as condições reais, pessoais e coletivas, através das quais nos movemos e permitimos nos envolver com processos que constituem a singularidade da nossa subjetividade e segurança-saúde mental, emocional, na atualidade. Como também, do grau de conexão ou de distanciamento mental que desenvolvemos frente à realidade brasileira, mergulhada na lógica cultural do descaso com o espalhamento da covid-19 e com a fabricação de crises, que acontecem em concomitância com a realização da agenda neoliberal no país. Agenda do mercado financeiro que pauta ferozmente a destruição do Estado e o crescimento do controle econômico pelos bilionários, acelerando privatizações e terceirizações no país. Modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, rejeitado e suplantado em muitos países que, contrários ao neoliberalismo, estão fortalecendo o processo de estatização de todas as suas empresas e instituições, revertendo o retorno de receita gerada e a prestação de serviços públicos para as suas próprias populações (https://www.youtube.com/watch?v=A8As8mFaRGU  https://www.youtube.com/watch?v=xprFoUx_puk ).

Essas práticas neoliberais agudizam agora os sentimentos-sofrimentos dos habitantes dos municípios do Amapá que, desde a última terça-feira, sofrem com o corte do fornecimento de energia elétrica (https://www.brasildefato.com.br/2020/11/06/sem-luz-sem-agua-sem-internet-e-na-pandemia-amapa-vive-dias-de-caos-leia-relatos ), somando-se a seis fatos que, entre tantos outros que ocorreram na semana passada, mobilizaram nossa atenção. O desastre humanitário e ambiental, o “crime de Mariana”, que no último dia 05 de novembro completou 5 anos de “economia do desastre”, tragédia e abandono (https://www.youtube.com/watch?v=1dRly6KqWTw ). A

aprovação do congresso da transferência de recursos do ministério da educação para ações de infraestrutura, desenvolvimento regional e saúde (https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/com-promessa-de-devolucao-congresso-aprova-retirada-recursos-da-educacao ). O ataque de hacker ao sistema de informática do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), revelando a falta de regulamentação e precariedade da segurança digital no país, a desrespeito dos avanços e das inovações tecnológicas (https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54847723 ). A aprovação no senado da “independência” do Banco Central (https://jornalggn.com.br/a-grande-crise/entenda-como-a-autonomia-do-bc-aprovada-pelo-senado-vai-afetar-sua-vida/ ). A palestra intitulada Ciência e mudanças climáticas, proferida por Ricardo Galvão no ciclo de debates online Agenda UFPE, destacando questões, tais como: Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, arco do desmatamento, absorção de carbono pela floresta amazônica, rios voadores (regime pluviométrico), monitoramentos (sistema PRODES E DETER) e alertas de desmatamento, aumento do efeito estufa, degradação da floresta Amazônica, cientistas engajados, combustíveis fósseis, desenvolvimento sustentável da Amazônia, política ambiental, diversificação da matriz energética, aquecimento global, entre outros temas (https://www.youtube.com/watch?v=YAofhQdwdDk ).

Somando-se a esses seis fatos nacionais, o Brasil também voltou sua atenção para os Estados Unidos, mais precisamente, para a eleição presidencial que ainda está em curso naquele país e que, na contagem voto a voto, tem demonstrado oscilação na vantagem entre os candidatos, em cada Estado ou Comarca. Porém, “O democrata Joe Biden ampliou suas vantagens pequenas sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos Estados cruciais da Pensilvânia e da Geórgia nesta sexta-feira, deixando-o perto de conquistar a Casa Branca três dias após o fechamento das urnas.” (https://www.brasil247.com/mundo/biden-mantem-vantagem-na-pensilvania-e-na-georgia-e-se-aproxima-da-casa-branca ).

Mas por que o intenso interesse do Brasil na eleição presidencial dos Estados Unidos de 2020? Segundo análise da jornalista Tereza Cruvinel, com a derrota de Trump será mais fácil convencer o presidente do Brasil a “mudar a política externa, avançar no pragmatismo interno e reduzir influência da ala ideológica […] a mudança na política externa brasileira será a primeira imposição da provável eleição de Biden. E por decorrência, também, a troca do ministro do Meio Ambiente […] uma vez que a questão ambiental terá mais peso na administração Biden […].” (https://www.brasil247.com/blog/araujo-e-salles-os-bodes-da-derrota-de-trump-no-governo-bolsonaro ).

É possível também que essa eleição, com resultado positivo para Biden, possa se mostrar como uma reação à crise política, social, econômica, sanitária

e humanitária que é vivida neste momento no mundo, ou seja, como uma reação ao extremismo, ao unilateralismo, à “temporada de escuridão” (https://www.brasil247.com/blog/araujo-e-salles-os-bodes-da-derrota-de-trump-no-governo-bolsonaro ). Porém, “O que realmente se sabe com grande certeza sobre a eleição presidencial de 2020 é que a supremacia branca e o racismo foram reafirmados e não repudiados.” (https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/EUA-ganhe-quem-ganhar-a-supremacia-branca-ja-venceu/6/49202 ), embora, como analisa George Yancy, o problema dos Estados Unidos [e do Brasil] reside nas interseções de raça, classe, gênero, policiamento hegemônico e liderança fracassada.” (https://www.cartamaior.or.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/EUA-fundado-na-desigualdade-o-pais-pode-se-tornar-democratico-e-inclusivo-/6/49182 ). Como também, parecem fracassar as lideranças mundiais no combate ao vírus da covid-19. Então, perguntamos: por onde ainda precisamos caminhar para construir um mundo livre do novo coronavírus? Uma sociedade inclusiva e democrática, onde todas as vidas importam? (https://www.otempo.com.br/mundo/eleicao-nos-eua-multidao-comemora-vitoria-de-biden-nos-estados-unidos-1.2409557 ). Seja como for, no sábado, 07.11, as agências de notícia dos Estados Unidos anunciaram Joe Biden como o futuro presidente deste país. Seria este o anúncio de alguma efetiva mudança?

Sandra Ataíde e Keyla Ferreira

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