Giras(sóis)

Girassóis da penúltima semana de julho ou do florescimento da ciência e conquista da educação

Nesta penúltima semana de julho, foi observado, mais uma vez, um novo pico de mortes registrado em 24 horas no Brasil, decorrente da pandemia da covid-19. De acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, na análise do ranking mundial, o país é o segundo com mais mortes causadas por esta doença, ficando atrás, apenas, dos Estados Unidos (https://www.huffpostbrasil.com/entry/mortes-covid-19-21-julho_br_5f172a1fc5b6cac5b732ae52 ). Apesar disto, assistimos às medidas de flexibilização do isolamento social de norte a sul do Brasil.

Por outro lado, conforme o que está registrado na Ata da reunião do Comitê de Operações de Emergência (COE) do Ministério da Saúde, ocorrida no final de maio, os Técnicos desta Pasta já alertavam para os benefícios da manutenção das medidas de isolamento social, inclusive com ganhos para a economia do país (https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/governo-foi-avisado-de-que-pandemia-duraria-ate-dois-anos,39db0672cd640dc0d8b59ee028a72a9doqkw8uhm.html ). Também chamaram atenção para o fato de que a não adoção dessas medidas poderia ser sentida no impacto da doença ao longo de dois anos. Porém, o impacto tem sido imediato, sentido na pele, notadamente, por aqueles que não têm nem mesmo o direito de se despedir dos seus mortos.

O negacionismo em relação à pandemia no Brasil, também se expressa na negligência com relação às ações em torno do Orçamento sobre a pandemia, como denunciou o Tribunal de Contas da União (TCU). O Órgão verificou que o Ministério da Saúde gastou cerca de 30% do orçamento total liberado para o enfrentamento da covid-19 no país, desde março. Ou seja, os gastos não correspondem às urgentes demandas de intervenção em prol de atendimento mais digno em saúde para pacientes e equipes médicas distribuídos no território nacional durante a crise sanitária. E, acertadamente, o TCU e o Ministério Público Federal (MPF) instauraram “inquérito civil para apurar ‘possíveis insuficiência e lentidão da execução orçamentária’ e ‘omissão no socorro financeiro aos estados e municípios’ pela Saúde.” (https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/saude-gastou-30-do-prometido-contra-a-covid-19-diz-tcu,0a38bd582c0de041a30f409ccfb065687it3e7qg.html ).

Na contramão do negacionismo, a ciência floresce e se desenvolve. Mais do que isso, nos ajuda a refletir e a agir em um mundo de muitas incertezas. Em estudo publicado após surto do novo coronavírus verificado em frigorífico alemão, pesquisadores alertam que o vírus pode ser transmitido em um raio de até 8 metros a depender das condições ambientais. Mais precisamente, “a transmissão da covid-19 em áreas de trabalho não depende apenas de proximidade social, mas de outros fatores, como as condições de determinado ambiente” (https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/coronavirus-pode-ser-transmitido-em-raio-de-8m-diz-estudo,e7b052a79f486e791796b0e8f536202cr6dtioca.html ).

Deste modo, é importante que pensemos cuidadosamente sobre as condições ambientais das escolas, notadamente, as escolas públicas, para receber estudantes e professores em um cenário em que ainda não se registra a diminuição do número de casos de contaminação e de mortes na maioria dos Estados da federação, mas apenas estabilização. Então, uma pergunta se impõe: Se o distanciamento social de 1,5 metro ou 2 metros não é suficiente, seria hora de retornarmos às salas de aula, tendo em vista as condições ambientais da maioria de nossas escolas? Ou ainda: conhecemos de fato quais são as condições ambientais das nossas diferentes instituições escolares? Temos também esse desafio.

Ainda sobre o florescimento da ciência, nesta semana, foram comemorados os promissores resultados da vacina contra coronavírus do laboratório AstraZeneca desenvolvido pela Universidade de Oxford relativos à fase um do estudo (https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/oms-comemora-resultados-da-vacina-de-oxford-mas-faz-alerta,5e218d1d56dc6594b4e9c45ad525701bdja2p5s4.html ). Em meio à comemoração, a OMS expressou a preocupação com os indígenas de todo o mundo, particularmente, aqueles que habitam as américas, o novo epicentro da covid-19. Segundo a Organização, já foram registrados mais de 70 mil casos e 2 mil mortes de indígenas nesse continente até 6 de julho. Soma-se aqui outro desafio. Por onde começar? Ou seria: por onde terminar?

No âmbito das comemorações, com sabor de vitória alimentada na/pela luta de uma classe trabalhadora – a dos profissionais da educação, está a aprovação, no Congresso Nacional, da proposta de emenda constitucional número 15 de 2015, que prevê o chamado novo Fundeb, a qual objetiva, sobretudo, “tornar permanente essa política nacional de financiamento da Educação Básica” (https://jornalistaslivres.org/a-votacao-do-novo-fundeb-em-busca-da-educacao-que-precisamos/ ). A proposta construída com a participação das diferentes entidades e profissionais da educação desde 2015 foi aprovada, na Câmera dos Deputados, sem alterações, por 499 votos a 7, no primeiro turno, e 492 votos a 6, no segundo (https://www.adufepe.org.br/vitoria-da-educacao-fundeb-e-aprovado-em-dois-turnos-na-camara/ ). Agora, a PEC segue para a votação no Senado com nossas esperanças renovadas de que uma política de Estado para o financiamento da Educação Básica seja consolidada na direção de uma educação inclusiva, de qualidade, comprometida com a valorização dos profissionais da educação e com o desenvolvimento integral das crianças e jovens.

Sandra Ataíde

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