Giras(sóis)

Girassóis da terceira semana de agosto ou dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus

A pandemia do novo coronavírus coloca à humanidade desafios anteriormente existentes, mas, agora, acentuados por essa crise vivenciada em escala mundial. São desafios de ordem social, ecológica, agrícola, econômica que se revelam como urgências no tempo presente, mas que se conectam com o passado remoto e recente, e se projetam para o futuro, quiçá como esperança de efetiva mudança do modo do ser humano estar/habitar o mundo.

Um desses desafios cabe à agricultura global que, com a diminuição do transporte terrestre, marítimo e aéreo, e com fechamento das fronteiras, precisa repensar o modo de produção, a fim de ressaltar o cultivo local, com menos preocupação com a quantidade, e mais ênfase na saúde e no cuidado com solo em uma perspectiva agroecológica e da relocalização da produção. Para além disso, com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, uma crise alimentar mundial não está descartada, como alertaram a FAO, a OMC e a OMC (https://www.rfi.fr/fr/podcasts/20200814-coronavirus-la-crise-r%C3%A9v%C3%A8le-les-limites-d-une-agriculture-mondialis%C3%A9e ). Então, o que nos cabe nesse processo?

Diretamente ligada à crise alimentar, temos o desafio de proteção da natureza e de seus recursos para que a vida seja garantida no planeta terra, o que exige mudança de comportamento no modo como temos usado os recursos naturais que nos são ofertados. Em termos de marco histórico, o dia 22 de agosto foi considerado o “Dia da Sobrecarga da Terra” do ano de 2020, ou seja, essa data demarca o momento em que começamos a consumir mais do que o planeta tem para nos ofertar e do que é capaz de regenerar. A pandemia da covid-19 adiou esse dia para uma data mais distante em 15 anos e ajudou no prolongamento do uso dos recursos naturais, mas, como ressalta Alexandre Prado, diretor de Economia Verde do World Wide Fund for Nature (WWF-Brasil), esta, embora significativa, é uma melhora temporária que deixa lições importantes, pois “ficou claro que podemos consumir menos, mudar nossas escolhas de formas de trabalho e locomoção e, ao contribuir para um mundo com menos emissões e consequentemente mais sustentável, também termos maior qualidade de vida” (https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2020/08/22/marco-historico-planeta-esgota-neste-sabado-2208-os-recursos-naturais-que-tinha-para-2020.ghtml ).

No âmbito social, os desafios a alcançar não apontam apenas para uma melhor qualidade de vida, mas para o compromisso e manutenção da vida, em especial, quando se pensa na condição das mulheres que, historicamente, são vítimas de violência física, psicológica, patrimonial e/ou sexual, a qual foi agravada pela situação de pandemia. Esse acontecimento, mais uma vez, pôs em evidência a necessidade de se garantir a prevenção contra esse tipo de violência, porém, como se sabe, é precisa que essa ação aconteça continuamente no tempo; em um tempo que não é breve, mas que se prolonga por gerações para que se possam quebrar amarras conceituais, simbólicas e relacionais (https://www.youtube.com/watch?v=6PcvnO6Mf5w ).

Além disso, também é um desafio social o alcance de condições favoráveis ligadas à educação, à saúde, à cultura e ao emprego para a população de modo equitativo, em especial, para as juventudes, de modo a possibilitar a superação das injustiças sociais e garantir condições dignas de vida para as famílias brasileiras (https://www.terra.com.br/amp/noticias/coronavirus/sem-aposentadoria-morte-de-idosos-por-covid-19-abala-vida-economica-de-familias-mais-pobres,9c2c0d98830e8cedd8f36bdce3dbbccao5teynqr.html ).


Sandra Ataíde

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