Giras(sóis)

Girassóis da segunda semana de novembro ou o que a vacina pode curar?

No início da segunda semana de novembro, dia 09.11, a sociedade brasileira foi surpreendida com a notícia da suspensão, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), dos testes da vacina CoronaVac contra a covid-19, realizados em humanos, devido a um “evento adverso grave”. No entanto, de acordo com o diretor do Butatan, o evento adverso grave, um óbito, não teve relação direta com a aplicação da vacina (https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2020/11/09/anvisa-suspende-temporariamente-ensaio-clinico-da-coronavac.ghtml ). Já no dia 13.11, após intervenção da comunidade científica nacional e internacional, a Anvisa permite a retomada dos testes da vacina CoronaVAc, em um cenário que se revelou de politização das vacinas quando já se somam mais de 162 mortes pela covid-19 no Brasil (https://vermelho.org.br/coluna/a-insanidade-de-bolsonaro-contra-a-vacina/ ).

Também ao longo desta semana, foi publicada a portaria, pelo Ministério da Defesa, que reafirma a obrigatoriedade da vacinação para militares das Forças Armadas, apesar do Governo Federal ser contra a obrigatoriedade da vacina para os demais cidadãos (https://www.brasil247.com/brasil/governo-federal-edita-portaria-de-vacinacao-obrigatoria-para-militares-que-bolsonaro-combate-para-civis ). Então, são dois pesos e duas medidas? Há vidas que importam mais que as outras?

E como temos insistido aqui, essa mentalidade e comportamento das elites brasileiras, marcada pelo “olhar para o próprio umbigo”, pelo “levar vantagem tudo”, pela lógica cultural da “farinha pouca, meu pirão primeiro”, deteriora nossa realidade social e, provavelmente, continuará agravando no período pós-pandemia. Inclusive, e como também já compartilhamos aqui, triplicando seus lucros financeiros e hegemonia econômica, em detrimento da continuidade da vida e da dignidade da maioria da população do país. Os acontecimentos que importam são aqueles que fazem aumentar seus rendimentos e dizem respeito à sua bolha, sua posição social e financeira. Enquanto nós, “mortais”, estamos procurando reinventar nossa modo de estar e de nos manifestar no mundo de forma mais sensível e coletiva, as elites exacerbam sua maneira egoísta e gananciosa de ser, de viver, de explorar o trabalhador e de aprofundar desigualdades e distinções sociais criadas por elas próprias.

Com a celeuma da vacina no Brasil, temos apenas evidenciado, sobretudo, cientificamente, que o exclusivismo das elites segue incólume, se mantém robusto e imutável. E elas seguem emplacando sua arcaica característica de falta de inteligência social, alteridade, empatia, ética, solidariedade. Enfim, ausência total de princípios, de direito humanos e democráticos, que organizem e estabeleçam nova solidariedade social, um projeto nacional, minimamente, coletivo de desenvolvimento sustentável, de bem viver (https://www.youtube.com/watch?v=Pdoj8kIrWyg ). E agora, com o crescimento financeiro acelerado do “vale do silício brasileiro”, do condado empresarial, do reduto de influenciadores de São Paulo, “sedes de gigantes como Bradesco, Itaú, BTG Pactual, XP Investimentos, J.P. Morgan, Credit Suisse, Google e Facebook, além de dezenas de assets (gestoras de investimentos) e escritórios de advocacia”, sua histórica prática de “se dar bem em tudo”, agudiza as condições de vida da nossa população. Empresários da Faria Limers que, além de terem jogado o Brasil nesse fosso em que nos encontramos, se esforçam 24 horas do dia para estabelecer a precariedade e a subsidiariedade do Estado brasileiro, pretendendo decidir se teremos, ou não teremos, futuro, sobretudo, no contexto político e econômico (https://www.brasil247.com/midia/cogitado-para-disputar-o-planalto-luciano-huck-se-reune-com-faria-limers-em-busca-de-apoio  https://vejasp.abril.com.br/cidades/faria-lima-condado-mercado-financeiro/ ). É o velho e canastrão sonho americano na cabeça dessas pessoas, com base em Wall Street e vale do silício californiano. Pessoas que se alienam diariamente do verdadeiro tecido social brasileiro, promovendo o pesadelo socioeconômico e cultural Ad infinitum no país.

Haveria vacina para isso? Para essa chaga, para essa enfermidade? E deixamos para todos nós uma inquietação de Leon Tolstói que talvez possa contribuir para o nosso amadurecimento político nesse momento: “A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois”.

Keyla Ferreira e Sandra Ataíde

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