Giras(sóis)

Girassóis da segunda semana de julho ou a força da população brasileira para enfrenta a pandemia da covid-19

É espantosa a força coletiva com que a maioria da população brasileira está lidando com os problemas e desafios do descontrole crescente da pandemia https://www.brasildefato.com.br/2020/07/10/dia-nacional-de-mobilizacoes-fora-bolsonaro-comeca-com-protesto-no-rio-grande-do-sul ). E não é de surpreender que ela deixe registrado na história, apesar de todo o plano necropolítico demandado, mais um legado de construção da democracia no Brasil, novas sociabilidades manifestadas a partir de corpos concretos, formas de vida antifascista, antirracista, ética, de habitar e mover-se no mundo.

Modos de vida outros, conhecimentos e saberes outros articulados e mobilizados pelo capital afetivo presente nas lutas políticas e sociais, pavimentadas, não pela “reforma” trabalhista, retorno das atividades econômicas, dor, sofrimentos e sacrifícios humanos (https://nocaute.blog.br/2020/07/10/brasil-ultrapassa-70-mil-mortos-pelo-coronavirus-e-registra-18-milhao-de-casos/    https://www.youtube.com/watch?v=QTNX06hyLbY ); mas pela justiça social fundante das forças populares e dos movimentos sociais, que criam vínculos éticos pautados nas relações materiais entre indivíduo e sociedade, educação e trabalho, desemprego e renda, economia e dominação, indivíduo e natureza, privatização e emprego, seguridade social e precariado, entre outras.

Isto é, na relação da população com a realidade brasileira, com suas reais condições de vida, seja durante ou depois da circulação e reprodução indevida do vírus, e com questionamentos de toda essa conjuntura em interfaces com a destruição ambiental, lawfare político e comercial acirrando a disputa geopolítica (guerras híbridas), entre outras agressões que atravessam e seguem usurpando o Brasil contemporâneo (https://brasil.elpais.com/internacional/2020-07-10/biden-disputa-nacionalismo-economico-com-trump.html https://nocaute.blog.br/2020/07/10/nocaute-e-tvt-exibem-a-serie-as-entrevistas-de-putin/). Rebatendo, em particular, na agenda e nos rumos da educação pública brasileira, formação de professores e currículos formativos, constitucionalmente laicos e gratuitos. Assim como, nas práticas pedagógicas intrínsecas às atividades de ensino e de aprendizagem. Sendo assim, a criação desses vínculos éticos significa a fonte propulsora dos processos de politização de toda e qualquer ação política, priorizando e se importando com todas as vidas e, na mesma proporção, inviabilizando comportamentos e atos motivados pela fusão imperialismo-entreguismo, com suas elites alucinadas pelo poder e pelo excesso de lucro econômico, igualmente nocivo (https://www.brasil247.com/midia/acossada-pelo-bolsonarismo-globo-acena-bandeira-branca-ao-pt-e-diz-que-e-hora-de-perdoar-o-partido https://monitormercantil.com.br/senado-aprova-mp-que-assegura-protecao-aos-bancos).

Não bastasse o vírus da covid-19 ter sido o gatinho para o abandono da nossa população e para crimes ambientais rentáveis, ainda pensamos ser necessário, imprescindível, persistir na criação de vínculos éticos capazes de restaurar nossa soberania nacional e o Estado democrático e de direito. Até porque a captura neoliberal da atividade política vem deslocando seus interesses especulativos e financeiros (https://www.abcdoabc.com.br/brasil-mundo/noticia/financial-times-investidores-ameacam-sair-brasil-se-destruicao-amazonia-nao-parar-103390 https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2020/07/em-carta-mourao-empresarios-defendem-combate-ao-desmatamento-ilegal-na-amazonia.html). Assim, se essa nova configuração de interesses provocar consequências ainda mais devastadoras, precisamos cuidar, como nunca, da singularidade da função social da universidade pública, enquanto representatividade civilizacional inerente ao coletivo, reafirmando nosso papel por dentro de toda essa história, que se designa para além da corrida de certificação e da perspectiva economicista. Lembrando que a diversidade presente nas pautas, sindicais e estudantis, também reflete essa singularidade através das históricas lutas e manifestações de rua, ocupações secundarista e universitárias, mobilizações em mídias impressas e digitais, reivindicando autonomia universitária, respeito às diferenças, direito à educação e às políticas públicas de juventude, eventos identitários, meia-entrada, desmilitarização da escola, entre outras.

Em face dessa reflexão, pensamos ser fundamental trazer fragmentos do pensamento social e militante de Florestan Fernandes. Seu esforço analítico e interpretativo das versões oficiais acerca da formação do povo brasileiro com base na ausência de hierarquias e de conflitos entre as raças, do desenvolvimento da economia capitalista no Brasil, dependente e escravagista, da função do Estado e dos partidos políticos na estrutura e dinâmica da atividade política. Da natureza antidemocrática da elite brasileira e sua ligação com nações imperialistas, da falácia da integração da população negra na sociedade de classe, do mito da democracia racial, da educação enquanto produtora de integração política, são algumas formulações, entre tantas outras, que estão sendo revisitadas, relidas, aprofundadas, pela importância da sua contribuição no entendimento e solução dos problemas sociais que nos desafiam na atualidade.

O alcance intelectual e revolucionário de Florestan também se inscreve e influencia movimentos de lutas populares pela democratização do conhecimento e dos direitos sociais. Principalmente, como deputado constituinte, onde se destacou na defesa do direito ao acesso à educação e à escola pública, do ensino básico ao ensino universitário, para a maioria da população, participando ativamente das lutas e da elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Inclusive, este mês estão sendo realizados inúmeros eventos comemorativos por ocasião do seu centenário, celebrado dia 22 de julho (https://www.fflch.usp.br/2277).

                                                                                                     Keyla Ferreira

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