Giras(sóis)

Girassóis da primeira semana de julho ou a luta histórica docente por uma educação de qualidade

Nos despedimos do mês de junho e iniciamos o mês de julho desejosas por saber: como estão vocês, estudantes? Nós estamos aqui, junto com vocês, buscando enfrentar, da forma menos agoniante possível, os problemas que nos afetam e aqueles que ainda estão por vir. Principalmente, por dentro do contexto letal da crise sanitária brasileira que, por não ter controle devido, tendemos até a imaginar ter sido enviada apenas para matar indígenas, pobres, negros, população LGBTIQ+, periféricos, trabalhadores (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/06/30/coronavirus-por-que-a-oms-diz-que-o-pior-da-pandemia-de-covid-19-ainda-esta-por-vir.htm http://www.apufsc.org.br/2020/06/30/departamento-de-saude-publica-divulga-manifesto-contrario-as-recentes-medidas-de-reabertura-na-pandemia/), esquecendo que o ser humano, existente, resistente, sobrevivente, que procura pôr-se como outro, se constituir com e a partir do outro, é “pesado demais para a ventania”, recordando a antologia poética do escritor Ricardo Aleixo. Por isso, esse ser humano deseja se reconstituir inscrevendo os mundos pós-capitalistas numa dinâmica socioeconômica, cultural, afetiva, epistemológica, política, radicalmente sensível e refundada na soberania, democracia, solidariedade, direitos, distribuição de renda, igualdade e justiça social. Em particular, na América Latina, como parece propor o pensamento Giro decolonial (https://jornalggn.com.br/noticia/os-agentes-do-fbi-que-ajudaram-a-lava-jato-contra-petrobras-e-odebrecht/).

Entretanto, apesar da necropolítica naturalizada que estamos, querendo ou não, protagonizando, nos últimos dias, e com certa frequência, temos escutado que precisamos, urgentemente, nos reinventar. Isto é, emplacar mudanças visando a recriar soluções para os nossos problemas. Pois bem, nossa inquietação agora é, além da necessidade de rememorar a acintosa proposta de aligeiramento, urgência, emergência de “reinventar” a educação pública no Brasil (https://www.proifes.org.br/noticias-proifes/de-convenios-a-vouchers-fundeb-e-alvo-da-privatizacao-da-educacao-brasileira/), definir o horizonte, domínio e ordem dos problemas que estão postos e construir novos pactos e laços sociais, afetos políticos promotores da paz, princípios e valores humanos que potencializem essa reinvenção da nossa universidade pública e da sociedade (http://www.ihu.unisinos.br/600459-e-preciso-repensar-o-papel-do-estado-e-o-combate-a-pandemia-no-brasil), essa tão decantada “resolução” de problemas educacionais e pedagógicos. Até porque, se desejamos atingir um novo patamar de força, individual e coletiva, significativamente humana, teremos que frear a disposição psíquica de permissividade, de repetição das práticas de desproteção social e de circulação do vírus, enfrentando coletivamente estratégias perversas pautadas pelo negacionismo e precariado, que destroem o Estado e as políticas públicas (https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/06/30/negacionismo-do-governo-brasileiro-ameaca-ampliar-pandemia-diz-bachelet.htm%20//jornalggn.com.br/movimentos-sociais/greve-historica-dos-entregadores-de-apps-desafia-a-precarizacao-do-trabalho-por-adriana-saraiva/). Aprender lições da pandemia com a Mãe terra, cessar as mortes por covid-19 e, pelo menos, acabar de enterrar nossos mortos, já que a proibição dos rituais de despedidas, como o velório e sepultamento, podem também representar estratégias e ocorrências autoritárias, destrutivas, das elites brasileiras. Assim, e à medida que elaboramos o nosso passado recente, de abusos, dor, sofrimentos, perdas simbólicas e materiais, ousarmos, com o auxílio das plataformas digitais, transitar pela jornada formativa, refletindo que tipo de reação, debate, conteúdo, decisão, saída, encaminharemos para “arrebentar barreiras invisíveis” e visíveis construídas por uma realidade social, por uma agenda política, econômica, educacional, reconhecidamente empedernida, sem vida, sem presente, sem futuro (https://sintrajufe.org.brultimas-noticias-detalhe/17406/embaixador-norte-americano-no-brasil-antecipa-paulo-guedes-e-defende-acelerar-reformas-estruturais https://www.folhape.com.br/noticias/maioria-e-contra-reabertura-de-comercio-e-ve-piora-na-pandemia-diz/145517/).

Historicamente, a sociedade civil brasileira, trabalhadores e, em particular, profissionais de educação e da saúde, estiveram vinculados e engajados na luta, sem trégua, contra os ataques e pela defesa da educação pública no Brasil. Hoje, essa luta se traduz, em especial, em defesa do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) por meio, como o momento atual nos impõe, de uma mobilização digital realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que visa pressionar os deputados para que votem e aprovem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 15, que torna permanente o novo Fundeb, com mais recursos e com uma distribuição mais justa entre os entes federados. Se essa votação não ocorrer urgentemente, já que o prazo está se esgotando, aquilo que se teme em decorrência da pandemia provocada pela covid-19, ou seja, a evasão dos estudantes, o abandono ou a desistência quanto à continuidade do percurso escolar, notadamente, pelas camadas mais periféricas da população, poderá ser materializada pela falta de “subsídio para mais de 40 milhões de matrículas de redes estaduais e municipais de ensino e [de] um piso salarial para as trabalhadoras e trabalhadores da educação.” (https://www.sinprodf.org.br/trabalhadores-da-educacao-intensificam-pressao-para-votar-novo-fundeb/).

Sem a aprovação do novo Fundeb, assim como acontece com a pandemia do novo coronvírus, a desigualdade social será ainda mais escancarada, havendo, também, o aumento das diferenças entre as regiões brasileiras, já que a mais afetada será a do Nordeste, bem como a desvalorização do trabalho docente e o desvio de caminho na luta pela qualidade da educação pública (https://celsogiannazi.com.br/2020/06/fundeb-ameaca-neoliberal/). Assim, diante dessa situação limite, nos questionamos: qual o projeto de formação inicial e continuada de professores está posto para esse tipo de realidade educacional que se anuncia? E mais: como será a nossa luta enquanto docentes e estudantes implicados na defesa da qualidade da educação pública, da valorização do trabalho docente e, sobretudo, na defesa do desenvolvimento humano integral e da participação cidadã digna?

Deste modo, quando, no campo científico, há a formulação da hipótese de que a nova cepa do SARS-CoV-2 contamina mais facilmente as células do organismo humano e é mais transmissível do que o coranavírus que originou a epidemia na China, conforme resultados de estudo publicado no último dia 02 de julho na revista cientifica Cell (http://www.rfi.fr/br/geral/20200703-coronav%C3%ADrus-j%C3%A1-%C3%A9-mais-virulento-do-que-v%C3%ADrus-surgido-na-china-sugere-estudo); e, ao mesmo tempo, se observa a persistência dos ataques à educação pública e à destruição do sistema educacional, em especial, com o interesse privatista caracterizado, neste momento de pandemia, pelos grandes aglomerados tecnológicos, a comunidade da UFPE protagoniza o debate sobre o Ensino Remoto Emergencial (http://www.adufepe.org.br/reitoria-e-direcao-da-adufepe-discutem-ensino-remoto-para-o-periodo-suplementar-2020-3/) para o período suplementar 2020.3.

Nesse momento, então, é fundamental não abandonarmos a luta histórica travada pela categoria dos trabalhadores docentes e renovarmos o nosso compromisso com a educação universitária pública, gratuita e de qualidade (https://www.instagram.com/p/CCMPT9pJlzd/?igshid=1hvb3ohwyqbai). Mais especificamente, é essencial continuarmos na defesa de uma formação de professores pautada na construção de uma consciência crítica e reflexiva, voltada para o desenvolvimento dos direitos humanos, de uma postura democrática e inclusiva, engajada com a defesa da vida e com as diferentes formas de ser e estar no mundo.

                                                                           Keyla Ferreira e Sandra Ataíde

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