EntreLAÇadOS

PEDAGOGIA DOS SENTIDOS, AUTOCONHECIMENTO E BEM-ESTAR DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Eu sou Luiza Villar, sou estudante do curso de Pedagogia na Universidade Federal
de Pernambuco. Mediei pela primeira vez, em conjunto com Danielly Morais,
também estudante do curso de Pedagogia, uma oficina na Coordenadoria do Ensino
de Ciências do Nordeste da UFPE, integrando a programação do Julho na CECINE
intitulada por: “A Pedagogia dos Sentidos: uma exploração sensorial que
contribui para o autoconhecimento e bem-estar” orientado pela Professora
Sandra Ataíde. Nesse sentido, vivenciamos uma experiência incrível e muito valiosa.
Essa oficina é uma conexão entre Pedagogia, Psicologia e Artes Visuais, o público
alvo são estudantes universitários, focamos na exploração dos nossos sentidos para
a promoção de saúde mental, autoconhecimento e bem-estar, além disso, tivemos
um momento de prática onde exploramos nossos sentidos com a modelagem de
argila, o que enriqueceu muito a experiência. Por conseguinte, este projeto foi
pensado em 2021, a partir de uma vontade que existia dentro de mim de poder viver
a experiência de um projeto de extensão dentro da universidade. Quando estudei a
cadeira “Psicologia da Aprendizagem” e nos debruçamos na teoria de Piaget e as
fases do desenvolvimento da criança, a primeira fase é a Sensório Motor, onde é
imprescindível explorar os sentidos para o desenvolvimento e aprendizagem da
criança, então pensei: “por que não explorar os nossos sentidos para promoção do
autoconhecimento e bem-estar?”, sempre fui fascinada por Psicologia,
principalmente quando se trata de saúde mental, e também na Pedagogia e na Arte,
a partir disso, nasceu “A pedagogia dos sentidos”. A primeira experiência de facilitar
essa oficina na Coordenadoria do Ensino de Ciências do Nordeste da UFPE,
integrando a programação do Julho na CECINE foi incrível, emocionante e
energizante. Me vi diante de pessoas sensíveis, potentes e disponíveis para serem
tocadas. Ver as pessoas emocionadas, trocando experiências e refletindo todas
juntas sobre alfabetização visual, elementos visuais e sua relação com nutrição e a
formação estética, bem-estar, autoconhecimento e saúde mental foi deslumbrante.
No momento da prática com a modelagem da argila, foi um momento muito especial,
o objetivo dessa experiência era nos conectar com os nossos sentidos, então
fizemos um ambiente bem relaxante, com música e vela aromática, no momento da
argila as pessoas puderam esculpir e expressar como
estavam se sentindo e representar como estava sua saúde mental. Cada escultura tinha um significado tão interessante e lindo. Por exemplo: minha escultura foi a
representação de um caderno aberto, com linhas a serem escritas, quis representar
no barro como me sinto. Eu sinto que estou escrevendo minha história, me sinto feliz
de poder estar escrevendo coisas muito lindas e importantes. Ainda, tinha a
escultura de um barquinho, com dois bonequinhos que representava a própria
pessoa. Um boneco era maior que o outro. O maior estava na ponta do barco
apontando para a frente, o outro menor estava mais atrás, esse barquinho com
esses dois bonecos representava a pessoa, o boneco maior era ele mesmo
apontando para o caminho que tinha que seguir, era como ele se sentia, atualmente
se sentia pequeno, mas sabia que iria seguir por um caminho que o tornaria grande.
Enfim, teve ainda algumas outras representações muito interessantes e lindas, foi
um momento muito especial. Dessa forma, esse projeto é uma criação coletiva, uma
junção de trocas que tive com amigos, professores e um compilado de todas as
experiências que tive dentro da universidade. Me sinto grata e feliz por toda a
contribuição, criação e disponibilidade que Danielly Morais teve compartilhando
comigo essa experiência, também a Professora Sandra Ataíde, que me acolheu e
me orientou em todo processo. Cuidar e ser cuidada é o objetivo maior de todo esse
projeto, ao passo que cuido também me sinto cuidada por todas as palavras e
emoções das pessoas.

7 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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  2. Que lindeza de texto!! tão profundo e tão adequado aos nossos tempos!! Gratidão pela concessão do maravilhoso texto, Newton Moreno.

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