EntreLAÇadOS


Relato 13. A saúde mental de estudantes universitários: um olhar do outro de si mesmo

Falar sobre saúde mental do estudante pode envolver diversas esferas, porque como somos seres sociais, inevitavelmente certas questões irão nos perpassar. Há uma pressão social para que o adolescente, jovem, jovem-adulto e o adulto tenham o que chamam de “sucesso”: no adolescente, as melhores notas e aprovação nas melhores universidades ao sair do ensino médio; no jovem, uma vida social animada, notas altas no ensino superior e bons estágios; no jovem-adulto, a pressão para ter o melhor emprego, o melhor salário; no adulto, uma vida financeira estável, uma família, um bom trabalho e segue a listinha de coisas infindáveis.

Acontece que, inúmeras vezes, o sujeito não deixa de estudar quando sai da fase de jovem-adulto e dependendo da idade que entrou no ensino superior, isso se estende um pouco mais. Com isso, além da pressão de ter que estudar, tirar boas notas, fazer o relatório de estágio e ainda por cima ser cobrado pelas outras coisas (emprego estável, família etc). Junto de todas essas cobranças, ainda há a insegurança do mercado de trabalho, o medo de não conseguir dar conta depois de formado, o medo do desemprego, o medo dos comentários que muitas vezes vêm de familiares etc. Inevitavelmente, o sujeito deprime diante de tantas cobranças e incertezas. Acredito eu que o estudante é o que mais recebe cargas e expectativas tanto da família quanto da sociedade e ninguém se questiona como anda essa saúde mental desse estudante. Dependendo da classe social, ainda há a necessidade de trabalhar enquanto se estuda, o que torna as coisas ainda mais complicadas e exaustivas. Com essas condições ambientais (no sentido de convívio social), a chance de chegar até a desenvolver um transtorno mental é muito alta. Acontece que a vida não tem manual de instruções e diversas vezes usam réguas alheias para medir nossas vidas, sem nem questionarem como estamos sentimentalmente. Falando como estudante, a saúde mental não fica em boas condições vivendo numa situação semelhante e, infelizmente, não é um cenário raro de se ver. Existem diversos memes sobre a aparência física do estudante que trabalha, e como é exaustivo dar conta de tantas coisas ao mesmo tempo.

Quando estamos cansados/exaustos, a nossa atenção, a memória, a capacidade de raciocínio e decisão ficam prejudicadas a tal ponto que se perde a qualidade de tudo que elaboramos.

Dessa forma, como um estudante universitário pode elaborar um trabalho acadêmico de boa qualidade quando essas capacidades básicas estão em déficit? Como esse último pode se motivar com o futuro e sua carreira, estando este cansado? É uma pergunta um quanto quando difícil de se responder.

Ariel Vinícius Batista, Graduando em Psicologia, 10⁰ período, UniFG


7 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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  2. Que lindeza de texto!! tão profundo e tão adequado aos nossos tempos!! Gratidão pela concessão do maravilhoso texto, Newton Moreno.

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