EntreLAÇadOS

Olhares sobre a experiência de isolamento social

Vou compartilhar um pouco sobre minha experiência na quarentena. Tem sido bem difícil, pelo fato de eu ter ansiedade, acaba sendo pior. Apesar disso, tento me distrair lendo, vendo série e nas redes sociais. Passar mais tempo com minha família tem sido uma coisa nova, ao mesmo tempo difícil e acolhedor. Nas vezes que fiquei mal eles sempre me ajudaram de alguma forma. A comunicação com minhas amigas, amigos e afins, apesar de ser menor, tem ajudado bastante também: fazer chamada de vídeo, jogar ou conversar por mensagem, é algo essencial nesse momento em que tento me distrair.

Caroline Cabral, Estudante de Pedagogia, UFPE



Não está sendo fácil. O isolamento social, para mim, está sendo como uma reflexão comigo mesma, precisei me “reinventar”. Essa palavra é a ideal no momento para mim. Antes da pandemia a minha vida era muito ativa, tinha vários hábitos, vários costumes no âmbito social como a faculdade, academia, cursos… mas, atualmente, estou reinventando esses costumes, faço a internet como minha aliada, com ajuda de aplicativos, faço exercícios físicos, cursos gratuitos online, estou fazendo alguns planos para empreender virtualmente, estou procurando criar uma fonte de renda para poder conter a ansiedade e poder me manter financeiramente. Mas o importante que o isolamento me proporcionou foi um momento comigo mesma, me ajudou a conter o estresse, cuidar das pessoas que estão ao meu redor e botar a saúde como prioridade sempre.

Yasmim Souza, estudante de Pedagogia, UFPE.

6 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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