EntreLAÇadOS

Olhares sobre a experiência do isolamento social

Foi e é difícil vivenciar o “novo normal”. Disse foi, porque hoje tem sido menos pior. Hoje que alimento minha alma com esperança, através das pequenas dádivas do dia. O que consome e desmonta, é a incerteza, não sentir controle, do tempo, da rotina. Sentir-se não mais pertencente daquilo que me pertencia, dói. O parar também incomoda, já que nós somos e estamos em constante movimento. Exercitar a paciência, estressa! Hoje é tudo tão “fast”. E agora? Bem, me consola lembrar que passará, que sou falível e tanto que se pensei ter total controle, errei. Me permito olhar para este momento como processo/fase: traz aprendizagens e o melhor, acaba. Há de se iniciar outro… se dessa forma? Não sei. Sei que não sei e que não tenho tal domínio. No momento, quero trazer a memória aquilo que me traz esperança, e assim, vou seguindo de fé em fé.

Mitishaeli Leôncio
Estudante de Pedagogia, UFPE

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Sem sombra de dúvidas, ser educador em meio a Pandemia é um grande desafio. O maior deles é manter os alunos conectados à dinâmica da aula e dar-lhes o mínimo possível do que se espera em uma aula presencial, a conversa, o debate, a fluidez natural que se anela na aplicação do ensino. Vivemos em uma constante dança da imitação, tentando assemelhar a distância à proximidade, a atividade remota à presencial, o abismo à ponte. Todavia, apesar dos grandes empasses, boas dádivas têm sido colhidas, em destaque, a capacidade de adaptação do ser humano em meio as crises. Eles querem aprender, querem seguir adiante, ainda que tenham que se reinventar como alunos, ao passo que nos reinventamos como professores.

Victor Wanderley Albuquerque
Instrutor de Eletrotécnica
Técnico em Eletrotécnica – IFPE
Estudante de Engenharia Elétrica – UFPE

6 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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