EntreLAÇadOS


Falar das experiências vividas durante o isolamento social pode ser um tanto difícil. Foi-nos dado durante esse período o termo “o novo normal”, eu diria que o que nos é apresentado como novo normal é simplesmente mentira. O momento que estamos vivendo não é fácil, não foi fácil para mim e não é diferente para muitas pessoas em todo o mundo. Normal não é uma palavra tão adequada. Mas o verdadeiro normal irá chegar.

Vemos que o medo entrou dentro dos lares e o pavor abraçou muitas pessoas. Senti o mesmo no início. O desespero tomou conta de muita gente, quase me pegou. Estar distante de quem ama, dos locais que ama, realmente bagunça a mente do ser humano. O desejo de estar perto não pôde ser atendido, e ainda não pode. Vimos também que ao mesmo tempo que paramos de realizar certas coisas de nossa rotina, outras coisas tiveram que fazer parte. O ensino EAD não foi e não está sendo fácil. O distanciamento social não está sendo fácil e o lazer de visitar outros locais nos foi impedido por ações do governo e do nosso próprio medo. Estar longe da igreja, minha segunda casa, foi o mais difícil.

O medo é necessário, ele pode sim, ser nossa arma de defesa e podemos sobreviver através dele. Mas, enquanto tudo isso não passa, vamos realinhar nossa verdadeira esperança. Com toda prevenção e cuidado, vamos seguir nossa vida fazendo o que nos é possível. E que nesses dias de desespero, possamos receber a Paz de Jesus, descansar em nossos lares, fazendo deles nosso principal refúgio nesse momento, e confiando, que isso um dia irá passar.

Wiilington Emanuel

1° ano do Ensino médio

6 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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