“Como é ser mãe e universitária da UFPE?”
Cecília Denise da Silva – Estudante do Curso de Enfermagem, CAV-UFPE
Desde o início da gravidez, ser mãe e universitária da UFPE não é um processo fácil!
Todos dizem que vão te apoiar e te auxiliar e, no fim, apenas a minoria realmente faz
isso.
Iniciando realmente um pouco da minha história, descobri minha gestação foi um baque para mim, eu não queria ser mãe e muito menos ser mãe e estudante, e para piorar no início da minha gestação tive um descolamento na placenta e precisava ficar 1 mês de repouso. Ouvi que deveria trancar o curso, pois deslocamentos iguais o meu passavam a gestação toda e eu não ia melhorar, além de ouvir do médico que se eu quisesse que meu filho ficasse vivo eu deveria desistir dos meus estudos. Meu mundo mais uma vez caiu, como alguém da área da saúde fala isso para uma estudante grávida? Onde foi parar a empatia?
Consegui o acompanhamento especial, e vivia inquieta e meu ritmo de estudos já não
era mais o mesmo, então, comecei a me culpar. Mas meus professores ficaram do meu
lado e entenderam a minha situação.
Depois de 1 mês de repouso, minha placenta voltou ao normal, como se nunca tivesse
acontecido nada e eu pude voltar para minhas atividades acadêmicas. Estagiei e estou
vivendo um dia de cada vez. E a cada dia se torna mais evidente que a empatia só vem
daqueles que já passaram por uma gravidez (desde um professor que viu o que sua
esposa passava, uma professora que já teve um bebê até uma estudante mãe).
Não é fácil estar grávida, ser dona de casa e ser estudante. As minhas notas não
mostram tudo que realmente sei, me esforço o triplo de um aluno normal e ainda
consigo tirar uma nota menor.
Pego ônibus para ir para faculdade, ando muito, subo escadas, faço esforços que não
deveria e isto está fazendo com que eu sinta dores que eu só deveria sentir próximo ao
meu trabalho de parto, ou seja, no final de março.
Para piorar a situação, o acompanhamento especial é de apenas 90 dias, mas como diz o nome é apenas um acompanhamento, então, terei que estudar com um bebê recém-
nascido e as minhas práticas não são asseguradas pelo acompanhamento. Cada dia me
bate a vontade de desistir, mas não posso, pois, sobrevivo da bolsa da faculdade.
Finalizo dizendo à mamãe que está lendo isso: você não está sozinha, somos muitas, com muitas dificuldades.
Aos que estão lendo e não são mães/país: ajudem as colegas mamães. Ás vezes ela precisa de materiais de apoio por não dá conta de tudo sozinha, e às vezes ela só precisa de um abraço e ouvir que vai ficar tudo bem.

Que Lindeza, Catarina!
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Saudades, Cris.
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Massa! Que lindo, Catarina!
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Bem eu nao sei se entendi a proposta direito não. É pra publicar aqui mesmo?
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Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.
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Que lindeza de texto!! tão profundo e tão adequado aos nossos tempos!! Gratidão pela concessão do maravilhoso texto, Newton Moreno.
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Uma honra participar dessa pagina linda. Essa coletividade me fez bem. Obrigada por tanto!
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