EntreLAÇadOS


REFLEXÕES DOS 20 ANOS: O NOVO NORMAL ENTRE AS LINHAS DO VIVER

Olá, meu nome é José Romélio e gostaria de compartilhar um pouco da minha experiência de vida nesse período de pandemia. Mas antes de falar diretamente sobre esta vivência, gostaria de me apresentar. Bem, como já falado acima, chamo-me Romélio, entre os amigos, Vulgo Mogli; tenho 20 anos e moro com os meus pais e irmão no Cabo de Santo Agostinho, sou cristão, membro da Assembleia de Deus, e estou cursando História pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

Acho que já são boas informações para saberem um pouco sobre mim. Então, para mais informações, só chamar no direct (risadas); digo isto porque é sempre bom fazer novas amizades, eu sou muito pequeno para a grandeza e diversidade que este mundo é –somos seres gregários, vamos expandir os vínculos. Só uma sugestão, caso me encontre e queira conversar, eu não gosto de café, vamos bater um papo só que eu bebendo água, sorry!

Agora sim, vamos lá! É importante falar que ninguém esperava isso, pegou todos de surpresa. Cada um de nós conseguiu observar as mudanças que a pandemia trouxe para a sociedade; a quem diga que o vírus chegou para mostrar que todos nós estamos sujeitos aos problemas da vida, seja rico ou pobre, que nos obrigou a parar e se reinventar e mostrar que a nossa tecnologia ainda é fraca, pois não consegue solucionar algo “minúsculo”. Bem, eu gosto de ter certos cuidados com essas afirmativas, visto que, por mais que o vírus tenha chegado no rico e pobre, quem sofrerá mais é a classe baixa, pois as condições sociais são diferentes, há pessoas que nem água possuem para lavar as mãos, quanto mais comprar álcool em gel. Vendo uma entrevista, de uma apresentadora de televisão, ela comentou que ficou infectada pelo COVID-19, mas havia dois médicos tomando os devidos cuidados da sua saúde. Faça sua reflexão. Juntando a isto, acho que é válido termos o cuidado ao afirmar que a pandemia nos fez se reinventar, como se fosse algo bom. Há pessoas que o psicológico está abalado, a violência doméstica aumentou, pessoas que são autônomas estão tentando sobreviver, nem todos possuem uma poupança, uma segunda empresa, ou tenha pais que faz parte da classe alta. Precisamos refletir sobre este novo normal que se aproxima e quais lições iremos tirar desta pandemia, seja social, política, familiar, psicológica, entre outras.

Desta forma, a pandemia trouxe um impacto, pois tivemos que ficar em casa – não que seja algo ruim, mas não foi semelhante ao desejo que temos quando largamos do trabalho, faculdade ou escola, no qual ficamos loucos para chegar em nossa casa – e também viver os problemas que ela está causando. No início foi algo muito turbulento, pois não podíamos ir para a faculdade, ir para a igreja e ver os amigos. Aos poucos fui buscando lidar com o estar em casa e me comunicar pelas redes sociais, aplicativos de vídeo conferência etc. Confesso, não foi fácil, e digo que você não está sozinho neste barco, pois todos nós estamos nesta situação. Vamos passar por isso juntos!

Ademais, em casa tentei me ocupar e continuar com aulas do período, pois a UNICAP aderiu o método online. Na busca por se ocupar, li livros, assisti filmes e séries e fiz duas coisas que achei muito legal neste período em casa: 1) Fiz uma estante com meu pai, sim, isso mesmo. Como gosto de ler, tenho vários livros que estavam em uma mesa, um em cima do outro; então, resolvemos fazer esta estante, foi uma experiência muito legal, pois além de fazer o que tanto sonhava, consegui me divertir e aprender bastante coisa com meu pai, como criar uma estante (risadas); 2) Elaborei uma página no Instagram com um amigo e amiga, como o nome “Regulando Narrativas” (@regulandonarrativas). Nosso intuito, dois historiadores e uma cientista social, é levar conhecimento histórico, político e teológico para as pessoas. Talvez você se pergunte sobre o “teológico”; bem, somos cristãos e queremos levar para o círculo religioso temas sociais e políticos (racismo, violência doméstica, injustiças sociais etc.), por isso encaixamos este ponto também. Nosso objetivo é compartilhar textos em torno desses assuntos e outros – vai lá e segue a gente, nos conceda esta honra!

Por fim, essas são as reflexões e situações que tenho experimentado durante a pandemia. Assim, cada um está no seu contexto, mas que possamos ajudar uns aos outros, contando nossas histórias, tornando-se vulneráveis, fazendo novas amizades, chorando com os que choram, confortando aos que estão perto e longe, entender que nem todo dia vai ser um bom dia, mas que está tudo bem e que não estamos sozinhos. Espero ter ajudado você de alguma forma, caro leitor, com as experiências que tenho vivenciado nestes dias. Deste modo, quero agradecer ao pessoal do “Espaço de Acolhimento” da UFPE, pela oportunidade de escrever este texto. Forte abraço e até uma próxima, quem sabe, um dia, a gente se embarra por aí.

José Romélio Rodrigues dos Santos Júnior

Licenciatura plena em História

Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)

6 comentários em “EntreLAÇadOS

  1. Vou postar aqui mesmo. Depois, eu posso esquecer. É algo que me tem ocorrido com mais frequência: esquecimentos. Eu talvez penda mais para o psicológico nesse relato, porque sou psicólogo, talvez. Então esqueci de cancelar assinatura do Telecine Play (eu assinei só pra ver Bacurau de graça, e esqueci de cancelar depois), esqueci de pagar internet, água, esqueci datas de aniversários importantes (tipo, que eu lembrava tão bem como a minha… e eu não tenho certeza ainda se lembrei. Lembrei nada…), números de telefones importantes estão parecendo aos poucos incertos, estranhos. Eu estou achando isso bem interessante e agradável. Eu acabei de esquecer o nome de Manuel de Barros, um dos poetas que mais gosto. Há uma lista grande de esquecimentos que pararei por aqui. Minha esposa e filha estão usando com muita frequência um tal de TikTok (acho que é isso mesmo) e isso de certo modo as alegra bastante. Eu tenho estudado o idioma italiano e tenho mexido com música e com argila. E tenho estudado psicologia, coisas do doutorado, principalmente. E tenho feito novas receitas. E tenho dado aulas de inglês às duas moças. Muito interessante experiência tem sido esta, por sinal. Estou mais caridoso, mais bonachão, eu acho. Muito preocupado fico em pegar o vírus, não saio de casa, quase. Raramente eu saio, pra comprar comida. Tem sido uma experiência até pessoalmente interessante. Meus sonhos (sonho de dormindo mesmo, mundo onírico) estão mais longos e ricos e, curiosamente, ‘recordáveis’. Gosto que veio aqui outro dia uma borboleta. Estou há seis anos no Recife e nunca tinha visto isso. Meu gato outro dia comeu um passarinho. Nunca mais tinha visto essa cena, de gato com passarinho na boca. Amanheço no quintal e vem às vezes um beija flor beber água numa garrafinha que coloquei para eles. Veio uma manhã um bem-te-vi enorme, amarelão, lindo. A arte tem mostrado mais o que é, para mim. É, ou ao menos parece ser, uma condição humana. Como a água sabe, ou o cálcio. Sem arte, sem ser artístico, a gente morre, eu acho hoje. Comecei Yoga mas não gostei. Não sei se foi a tutora vaidosa ou a série de posições. Chato, achei (que namasté o quê!). Mas tem gosto pra tudo. A quarentena deixou mais fácil lavar a louça. Até varrer. O Brasil está essa loucura até um pouco assustadora. Evito pensar nos desdobramentos próximos. Espero que a gente resista e lute sempre. Amo muito o Brasil e o povo brasileiro e nordestino, principalmente. Acho que estamos muito doentinhos. Uma pena. Morreram pessoas tão boas, como o Aldir Blanc. O Brennand, uma pediatra amiga de mainha, um rapaz trabalhador (que trabalhava muito) aqui do bairro, aquele ator, Migliaccio, por esses dias. O Moraes, rapaz… Só gente boa, morrendo. Eu acho curioso esse movimento. Bem, espero ter ajudado. Acho que tenho sido um bom confinado. Tenho lidado bem com isso. Eu recomendo a todos, principalmente aos que estão se atrapalhando nesse momento; arte. Arte e churrasco e despreocupação e esquecimentos têm me feito muito bem. O celular nesse contexto atual, para mim, ficou mais fraco. Mas talvez funcione bem para passar um trote inofensivo.
    Se cuidem tod@s. Alegria, ânimo e coragem.

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