Ciranda de Linguagens

Descortine


Rompa o véu,
Branco
Acolha os tons,
Negras
Abolicione-se,
da clareza
Ouse,
Aprenda,
com as Mulheres,
Pretas
sobre a África,
que ultapassam
tuas
Favelas.


Luiz Alberto Monteiro
(04/09/20)

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Nessa realidade que me assola me consola, me atormenta, me tira e me traz paz não posso me limitar apenas a mim
São tantas realidades enquadradas em paredes, lares, amores, desamores, agonias, textos e contextos tão distintos que não há como ficar indiferente a tamanhas dimensões
Há quase um ano vivíamos na ilusão da idealização de uma realidade não concretizada, fomos obrigados a vivenciar tanta coisa trágica
Só assim paramos para pensar nos nossos valores, conceitos adormecidos, recém-descobertos, tão vivos dentro de nós
Muitos choraram, outros se redescobriram e assim aprendemos a viver com as incertezas da vida
Paramos para pensar no outro, no eu coletivo, infelizmente nem todos sobreviveram ou sobreviverão para contar
Na verdade, escrevendo agora percebo que não sei como será o amanhã se estarei aqui para compartilhar
O que sei é que aprendi a valorizar os detalhes, as pessoas, as pequenas coisas antes tão ignoradas
Olhar com gratidão a todas as oportunidades que pude ter e viver
Não temos ideia de como será o amanhã
Viver o hoje com responsabilidade é o que me fundamenta agora
O amanhã só Deus dirá.


Cicera.C.G.Ribeiro

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Externando Emoções

Maria Eduarda G. B. da Silva

Diante de um papel estou eu a escrever
ou melhor, escreviver.
Mas o que escreviver quando sente que a vida parou?
Não consigo mensurar o quanto tudo está diferente.
Escolas, bares, calçadas, avenidas
tudo, em um dado momento, parou de ser como era antes.
Rotina, correria, estudo, trabalho
um até breve foi dito, mas até agora não ouço seu retorno.
Acordar, comer, se limpar, dormir
um disco repetido sem previsão de mudar.
Me pego pensando como está sendo para os outros,
os trabalhos intermináveis de profissionais de saúde,
os “home-offices” sem limite de horário,
sem hífen para separar o que é de casa e o que é trabalho,
o desespero de quem perdeu o emprego
e segue largado, sem saber o que fazer.
Insônia, angústia, ansiedade, desânimo
palavras presentes no repertório atual.
Saudade, tristeza, revolta, luto
como seguir sem a presença daquele ente querido…?
Desordem, descaso, vergonha, retrocesso
um país manchado de sangue, que fecha os olhos para os seus.
É difícil ter esperança
quando as circunstâncias a sufoca,
é difícil responsabilizar apenas a pandemia
quando a sociedade se encontra em ruína.
E a pergunta que não me sai da cabeça é:
Como será depois que isso tudo “passar”?
Não sei como vai ser depois,
há marcas que, como uma cicatriz, não vai desaparecer
talvez alguma coisa com isso poderemos aprender
e assim, quem sabe, o amanhã será melhor do que o hoje.

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