Ciranda de Linguagens

A contaminação pela covid-19 apesar de parecer “democrática”, tem cor, raça e classe social. E é bem sabido, pois cerca de 54,8 % dos óbitos são de pessoas negras e pardas.

Logo, me questiono: Por que a morte de negros é maior? Por que se evolui para quadros graves? E me surpreendo em ter a resposta, porque anos de escravidão e racismo estrutural são notáveis nessa situação.

Me pego pensando no poema de Solano Trindade chamado “Meu canto de guerra” que fala do homem sofrido, do lamento do povo oprimido, da multidão! Do homem que sofre por não ter as mesmas condições, que sofre por ter uma maior insegurança alimentar, menos escolaridade, que vive em periferias onde água de qualidade e saneamento básico raramente chegam.

Penso nesse cenário de profunda desigualdade e por que não de invisibilidade! O vírus pode não escolher quem contaminar, mas o abismo social pode definir, infelizmente, quem poderá viver e quem poderá morrer.

Concluo esse momento refletindo mais uma vez sobre esse poema:

Pensar como espécie

É pensar de forma igual.

É lutar por todos

Sem distinção de classe social.

E lembrar o que o poema diz:

Ter um canto universal.

Aquele que pensa no bem comum

E luta por justiça social.


Tatiana Rodrigues Cavalcante dos Santos


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Escrevivência Covid – Letícia Silva de Sá


Um fenômeno que veio de longe, chegou sem avisar quanto tempo ficaria, pegou muitos de surpresa, alguns que não o levaram a sério dizendo ser apenas uma “gripezinha”, mas que gripezinha é essa que levou mais de 100 mil?! De uma gripe nos recuperamos, saímos ilesos, mas a covid está longe de ser só isso.

Foi o sentimento de angústia, a falta de ar que tomou o peito por conta da ansiedade de não saber o que estava sentindo, não saber se poderia ser a próxima ou só mais uma que perderia pessoas muito queridas…

Não perdi, mas convivi de perto com pessoas que sentiram essa dor de maneira tão rápida e devastadora, que chegou sem avisar e levou aqueles que mais amavam. É dolorido, provoca lacunas na alma que milhares de pessoas ao redor desse grande país sentiram durante esse terrível período. Não são  apenas números, são vidas, são pais, mães, avós, filhos, que fazem e fizeram história na vida de muitas pessoas.

É difícil pensar que ainda estamos tentando sobreviver (literalmente) a isso, mas a esperança de que um dia tudo vai voltar aos trilhos mantém aceso um pensamento que nos leva a lidar com o “novo normal”, sendo sempre necessário o cuidado próprio e com o próximo, para que um dia possamos recolher os cacos e reconstruir uma história mais forte pautada em tudo o que já vivemos.

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Evidente que eu sou uma potência.

Que meu corpo respira resistência.

Que sou esperança dos antepassados.

Mas por que falar, o que já está claro?

Que meu cabelo feio para você, na verdade é lindo.

Que posso alcançar o infinito e para isso basta o meu querer.

E que não preciso de você para falar como devo me vestir.

Mas por que falar?

Por que falar?

Falar?

Por que?

O que preciso te afirmar?

Que sou mais inteligente e não uso cloroquina?

Ou você quer que eu te diga que eu só faço comida, e não pesquisa?

Se quiser isso, te peço, compre um robô de bolsonaro, pois não vou falar para você, o que já está claro.


Hylka Walleska Barbosa de Lima Caldas


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Era dia, era pandemia, era vida, vida! – Priscilla Ximenes


Era sol, era praia, era carnaval na entoada!

A terra rotacionou, pandemia!

Medo e incertezas,

Contaminou, pegou.

Álcool em gel, sabão e limpeza.

Sobrevivência…

Isolamento, cuidado!

Distanciamento.

De gripinha à hidroxicloroquina!

Não havia evidências!

Sem histórico de atleta.

Morreu, morreu, morreu…

Dor e sofrimento.

Isolamento, menos!

Economia? Vida?

Fome!

Negacionistas: era mentira!

Mitou, mentiu, riu!

Normalizou, retrocedeu…

Fome!

Olha o trabalhador, sofredor.

Isolamento, covid-ou?

Vamos sair? Reunir? Divertir!

Não tem nada!

Imunidade de rebanho? Ranho.

Ivermectina, tinha!

Liberou, aglomerou…

É sol, é praia lotada, é covid-ada!


Isolamento, palhaçada!

SE LIGA, não acabou…

Vozes resistentes.

Em frente, sempre!

Lembre.

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